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September 3, 2021

Psicologia

A nostalgia é mais poderosa do que a gente acha

By Oliver Henares.

Todo tempo passado foi melhor?

O poder que a nostalgia tem na gente é inegável. Trata-se de um mecanismo de defesa extraordinário, produto da nossa própria evolução e da incrível máquina do tempo que temos na cabeça, o cérebro. 

No século XVII, os médicos da época tratavam a nostalgia como uma doença. A origem do conceito não está ligada a fatores positivos: nostalgia vem de ‘nostos’ (tornar, voltar) e ‘algos’ (dor). 

É verdade que vivíamos melhor antes?

Como Franklin P. Adams disse:

“Não tem nada mais responsável dos bons velhos tempos do que uma memória ruim”.

O que é que os dados têm para dizer a respeito? De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a nossa esperança de vida tem se incrementado em 5 anos desde 2000. Na real, globalmente a esperança de vida não para de crescer desde os últimos 10 anos, chegando a 72,56 anos em 2018 segundo valores do Banco Mundial

Conforme a mesma instituição, o índice de pobreza global não parou de descer desde 1990 até 2017. Porém, teve algum fator que se colocou no caminho na procura de reduzir a pobreza mundial até 3% para 203: a pandemia. É uma situação que já tem quase 2 anos desde os primeiros relatórios. 

Ela vai gerar um retrocesso na tendência de redução da pobreza pela primeira vez em mais de 20 anos. Apesar da grande crise econômica de 2008 e dos conflitos de algumas regiões do mundo, a humanidade estava lutando contra a pobreza e pobreza extrema de um jeito efetivo em termos gerais, até agora. 

O mecanismo da nostalgia

Segundo os especialistas, o que a nostalgia realmente reflete é a nossa necessidade de parar o tempo. Ouvimos uma música, assistimos um filme ou lemos um livro com o intuito de lembrar e nos transportar para um momento das nossas vidas. 

Atualmente, na época do conteúdo digital, tudo -ou quase tudo- está armazenado e etiquetado em nossos telefones, na nuvem ou em plataformas de streaming. Então, por que é que a gente gosta de preservar clássicos nos nossos estantes? De acordo com os psicólogos o motivo é, em parte, porque precisamos sentir que temos o controle das situações. Daí, ter uma entrada imediata para outro tempo gera segurança. 

Nesta época com tantas incertezas, aquele sentimento só cresce. Este fato não é novo. Na Espanha, por exemplo, a sociedade está passando por uma fase interessante falando em nostalgia. 

Precisamente agora, estão convivendo 3 gerações (X, Millennials e Geração Z) ativas ao mesmo tempo. A nostalgia nelas se reflete em coisas absolutamente diferentes, mas a sua essência é a mesma. 

A lembrança dos acontecimentos passados ou praticar tradições procurando construir uma identidade é particularmente efetivo para sentirmos segurança em tempos difíceis. 

Em um panorama de nostalgia, a mente rejeita o negativo e reforça o positivo para criar uma imagem idealizada do passado. Ainda numa época tao polarizada como a atual, a nostalgia que produz relembrar momentos compartilhados como um show, um jogo, um filme ou qualquer evento que guardamos na memória reduz as barreiras do conflito e gera empatia. Estudos recentes sugerem que a nostalgia poderia exercer uma função de homeostase psicológica, um mecanismo que neutraliza nosso sentimento de falta de apoio social e sentimento de exclusão, aumentando assim nosso senso de conexão social e empatia. 

O valor da nostalgia

A nostalgia reconforta, nos conecta e dá segurança. É uma ferramenta incrível e seus efeitos são maiores em tempos de incertezas. O Marketing sabe disso, e por esse motivo é possível ver como a nostalgia nos rodeia sistematicamente. Seja lembrando a Michael Jordan, pagando centos de Euros por uma camiseta de Jurassic Park de 1992 ou de Nirvana, a nostalgia não sabe de gerações. Um dos melhores exemplos é a calculada fórmula de Stranger Things, a famosa série da Netflix estreada em 2019 e que está a ponto de lançar a sua quarta temporada. Mesmo se conseguimos assistir De Volta para o Futuro no cinema, ou se ainda não tínhamos nascido quando ela já tinha virado clássico, Stranger Things é uma lição magistral no que tem a ver com a mistura de todos aqueles momentos que nos levam para um passado feliz para alguns, e para um lugar autêntico, cheio de estilo e pessoas interessantes para outros. 

2021 tem tudo para ser o ano da nostalgia. E não é uma tendência passageira só, marcas como Burger King redesenharam totalmente a imagem da sua marca para voltar aos origens. Tik Tok tem registrado uma das suas maiores tendências com “High School Musical”, o retorno dos protagonistas da icônica série “Friends” em um especial que a rede HBO estreou há algumas semanas, e catapultou a série de volta no top de todas as listas. A campanha mais premiada na Espanha neste ano de 2021 foi justamente aquela baseada na saudade de recuperar a imagem de Lola Flores.

A saudade no esporte

Todos precisamos de momentos de bem-estar, de esperança, e o mundo dos esportes não é a exceção, um mundo que ajuda não só para lembrar de momentos históricos, mas também como um sinal de identidade. Uma pesquisa feita na última copa do mundo estabeleceu que não é só a nostalgia pelos tempos passados no esporte que tem um papel importante, mas também a experiência de eventos similares, como as anteriores copas do mundo. Por extensão, isto pode ser aplicado em qualquer evento esportivo como jogos da liga, campeonatos europeus, Olimpíadas…

As nossas vivências do passado influenciam nosso comportamento atual. De acordo com a pesquisa já mencionada, entende-se por experiência o entorno, socialização, identidade pessoal e nacional no caso da copa do mundo, um campeonato europeu ou umas olimpíadas. Nacionalmente a nossa identidade se reflete na nossa região e nosso time.

O esporte é, sobretudo, uma experiência que se conserva na memória, os sons, emoções, imagens e aromas podem se ativar de novo através das estratégias de comunicação, ou por causa da tecnologia. 

Há pouco tempo, o famoso videogame FIFA na edição 2021 fez renascer a Kiyan Price, um jogador assassinado faz 15 anos tragicamente enquanto tentava parar uma briga. Através dos treinadores, jogadores, amigos e familiares foi desenhada uma IA que fez o milagre possível. 

O mundo do esporte se apoia nas bases da nostalgia e das lendas que deixaram tempos e acontecimentos inesquecíveis. É só pensar em Magic Johnson, Michael Jordan, Johan Cruyff, Pelé ou Maradona; Nadia Comaneci, Gervasio Deferr ou Miguel Induráin. O sentido de pertencimento é algo maior, que nos dá identidade além das cores ou escudos, é tão forte que ultrapassa as rivalidades entre torcedores. A nostalgia nos une. 

Tentar se superar a si mesmo constantemente, bater recordes e destruir marcas, tudo isso faz parte da essência do esporte. As novas gerações estão reescrevendo o jeito como a gente entende o esporte mas, ainda assim, continuamos precisando de figuras e lembranças para colocar num altar que se atualiza constantemente a cada geração mas que responde à mesma essência emocional por milhares de anos.  

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