July 5, 2021
Gestão de Lesões
A Volta aos Campeonatos após Lesões Sofridas Durante os Esportes de Elite como uma Decisão Conjunta
A procura pelos esportes que induzem os atletas chegarem aos seus limites, pois assim podem alcançarem seu melhor desempenho é um processo que envolve prováveis lesões. No futebol masculino, por exemplo, há uma estimativa de 8 lesões para cada 1000 horas de exposição.1 Ou seja, um atleta profissional de futebol sofre lesões cada 125 horas de posse da bola. Uma equipe de 25 atletas profissionais de futebol sofre em média 50 lesões no decorrer de uma temporada. 12% delas normalmente são reincidentes. Um em cada quatro atletas da equipe britânica de atletismo teve ou sofreu lesões antes, durante ou depois dos Jogos Olímpicos de 2012.2 A decisão de voltar aos campeonatos (VC) é um momento complexo, particular para cada um dos atletas, especialidade para aqueles que tendem a impactos externos, por exemplo, pressão da torcida e mídia, necessidade do técnico em mudar suas estratégias mediante resultados não satisfatórios e proximidade de uma partida ou campeonato de grande importância.3
Uma publicação defende as vantagens de acreditar na tomada de decisão conjunta entre o Departamento médico, o atleta e o técnico para identificar o momento ideal da volta aos campeonatos. 4 A proposta, publicada na revista British Journal of Sports Medicine em 2017, propõe três passos neste processo.
- Escolha: o Departamento médico deve assegurar que todas as opções razoáveis sejam apresentadas aos atletas e técnicos.
- Opção: fornecer informações detalhadas sobre as diferentes possibilidades que existem.
- Decisão: orientar o atleta e o técnico sobre suas decisões e que elas estejam voltadas para o melhor resultado.
Cada um dos principais agentes envolvidos nesta tomada de decisão conjunta tem um papel claro neste processo (Figura 1). O Departamento médico é o mais indicado para avaliar o estado de saúde de um atleta e fornecer orientações objetivas com o objetivo de gerenciar o momento de voltar aos campeonatos após uma lesão. Esta recomendação inclui o reconhecimento do risco de lesões a curto prazo, recidivas e baixo desempenho, assim como suas consequências e riscos a longo prazo para a saúde do atleta. Este conselho é fundamentado principalmente na situação clínica e no contexto real de cada atleta que apresente um problema muito específico. Experiência profissional, tipos de lesões, conhecimento sobre as exigências que há em um campeonato e a relação individual com o atleta e com o conhecimento das evidências científicas publicadas, são os elementos mais importantes deste processo de tomada de decisão. Os atletas mais dedicados e eficientes devem sempre informar sobre seu estado geral de preparação e seu desejo de jogar. Esta decisão deve ser fundamentada em circunstâncias pessoais e experiências, avaliação pessoal do risco a que está sendo submetido, o ambiente e informações específicas sobre sua saúde e desempenho. Há fatores contextuais de alto nível, como a pressão da mídia ou de patrocínios, que também devem ser considerados. O técnico avalia as condições reais do atleta para que seu rendimento alcance o nível exigido pela equipe e pelo campeonato, com base em desempenhos que o atleta demonstrou, em treinamentos perdidos, evolução funcional durante o processo de recuperação e informações fornecidas pelo Departamento médico. A contribuição do técnico para a tomada de decisão conjunta tem a ver com o conhecimento do contexto esportivo específico. Trata-se de avaliar a importância do atleta para o funcionamento da equipe, a importância das próximas partidas ou campeonatos, a fase de temporadas, a existência de substitutos de alto nível e o grau de risco que pode ser assumido a curto, médio e longo prazo nos aspectos esportivos mediante uma recidiva.
Em síntese, a tarefa fundamental do Departamento médico é informar objetivamente técnicos e atletas sobre seu estado de saúde, riscos de lesões ou baixo desempenho. Finalmente, são os atletas e técnicos que devem avaliar as informações e tomar decisões sobre a volta aos campeonatos. O sucesso de uma boa tomada de decisão depende em grande parte da comunicação interna das equipes de trabalho dos clubes.5
Referências:
1 Ekstrand J, Hägglund M, Waldén M. Injury incidence and injury patterns in professional football: the UEFA injury study. Br J Sports Med 2011; 45:553-558.
2 Dijkstra HP, Pollock N, Chakraverty R, et al. Managing the health of the elite athlete: a new integrated performance health management and coaching model. Br J Sports Med 2014; 48:523-31.
3 Creighton DW, Shrier I, Shultz R, et al. Return-to-play in sport: a decision-based model. Clin J Sport Med 2010; 20:379–85
4 Dijkstra HP, Pollock N, Chakraverty R, Ardem, Return to play in elite sport: a shared decision-making process Br J Sports Med 2017; 51:419-420.
5 Ekstrand J, Lundqvist D, Davison M, D´Hooghe, M, Pensgaard, A. Communication quality between the medical team and the head coach/manager is associated with injury burden and player availability in elite football clubs Br J Sports Med 2019; 53: 304-308
Carlos Lago Peñas
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