November 22, 2021
Psicologia
Como gerenciar o resultado dos jogos para melhorar a preparação dos jogadores
O autocontrole é uma característica essencial para um treinador. Ter controle emocional permite um melhor gerenciamento das situações quando for preciso tomar decisões. É por isso que não é recomendado que um treinador seja muito afetado por uma derrota ou vitória. As consequências de um ajuste psicológico irregular podem levar a uma avaliação incorreta do que aconteceu, atribuindo erroneamente a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso e adotando medidas pouco acertadas para a próxima partida. Por tudo isso é necessário permanecer equilibrado. Os treinadores precisam ajustar o foco de atenção no próximo jogo, quando o anterior terminar. Um treinador tem que ser uma referência para os jogadores e isso se consegue com o exemplo, o que não é possível se não houver autocontrole.
Como é que o treinador deve gerenciar o resultado de uma partida para obter o melhor de seus jogadores para o seguinte encontro? Saber controlar os momentos de sucesso ou frustração das equipes, após uma vitória ou derrota, é uma das grandes habilidades que deve dominar com precisão um treinador da elite1. Vencer geralmente reforça a convicção na conveniência dos planos traçados pelo treinador e aumenta a probabilidade de sucesso novamente. Perder, por sua vez, geralmente gera reações opostas: tudo está errado e pode piorar. Os humores ou percepções de autoeficácia individual e coletiva são altamente dependentes do resultado da partida. Os treinadores devem saber para onde direcionar a atenção dos jogadores, dependendo do que a situação exige. Escolher a resposta adequada, liberando ou assumindo a responsabilidade de uma derrota para dentro ou fora da equipe é fundamental para garantir que um resultado negativo não afete demais na preparação da próxima partida.2
Se o objetivo do treinador for manter a confiança dos jogadores no plano de jogo da equipe e no que é feito durante os treinos, o melhor é atribuir os erros aos outros: a culpa foi do árbitro, tivemos azar, …e os sucessos ao próprio time: as coisas correram bem porque merecemos, o nosso desempenho tem sido o esperado, estamos num bom momento de estado… Pelo contrário, se o intuito for fazer crescer à equipe, o recomendado é fazer uma atribuição interna dos erros: perdemos porque não estivemos ao nosso nível, podemos fazer algumas coisas melhor na quadra,…3,4
Mas então, quando é que o treinador tem que fazer o primeiro ou o segundo? Depende do contexto de cada equipe. Vamos supor que o resultado da partida tenha sido ruim, no entanto é muito perigoso a perda de confiança no grupo naquele momento, pois seguidamente ele tem que fazer frente um jogo-chave ou de uma repescagem: o diretor técnico tem que procurar culpar alguma coisa ou alguém de fora da equipe. Trata-se de fazer uma atribuição causal externa. Se, pelo contrário, a equipe está se relaxando de mais nos treinamentos, perdendo a intensidade no trabalho por ter vencido nos últimos jogos: talvez o melhor seja assumir internamente a responsabilidade por qualquer tipo de erro. A mensagem é que é preciso melhorar para continuar vencendo. Olhar para fora ou para dentro na hora de designar responsáveis pelo sucesso ou derrota depende do que precisamos no momento. Manter a confiança ou crescer como equipe.
O bate-papo pós-jogo com os jogadores no vestiário é fundamental. O técnico deve orientar a reflexão dos jogadores sobre o que aconteceu na quadra. É uma grande oportunidade para ajudar os atletas a colocarem sua atenção no aspecto mais conveniente a cada caso: performance ou resultado. É importante evitar que os jogadores tirem conclusões pessoais que não são as mais aconselháveis. Uma última dica. Na etapa de formação, o objetivo é o desenvolvimento dos jogadores. O recomendável, normalmente, é fazer uma atribuição interna de erros.
Referências:
1 Lago Peñas, C. y Seirul.lo, F. (2021). La dirección del entrenamiento y el partido en el Fútbol y los Deportes de Equipo. Próxima publicação.
2 Weinberg, R.S. y Goud, D. (2012). Fundamentos de Psicología del Deporte y del Ejercicio Físico. Madrid: Editorial Médica Panamericana.
3 Marí, P. (2011). Aprende de los campeones. Barcelona: Plataforma Editorial.
4 Marí, P (2019). Aprende a echar la culpa. Em: https://www.youtube.com/watch?v=cSLQzqGjHLA.
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